Botequim 2.0
Digressões inúteis sobre...


quarta-feira, outubro 22, 2003  

Contos relâmpago
André Machado, o lendário Barba, faturou o segundo lugar num concurso de narrativas rápidas que teve cerca de 300 inscritos. Quem acompanha os cadafalsos (links ao lado) conhece a pena afiada do André, que divaga em versos brancos ou prosa poética os dilemas, delícias e cicatrizes da paixão, acariciando com uma navalha e esbofeteando com uma pétala (para a sorte dos leitores, com metáforas menos piegas e óbvias do que essas).
Parabéns para o Barba, que com seu estilo singular sempre escapa da velha máxima segundo a qual de grandes sentimentos se faz má literatura.
Entre os vencedores também vale destacar o ótimo conto de Nelson Vasconcelos, que relata a crueza de um episódio violento com ternura num recado para a amada.
Os textos estão em:
http://www.meguimaraes.com/concurso/ganhadores2003.htm#2

posted by Maloca | 7:04 PM



terça-feira, outubro 21, 2003  

Duas damas
Formosa dama que foi namorada de tudo que é nego torto, mas que preferia amar com os bichos a se entregar ao nobre comandante, aceita saciar-lhe os desejos para redimir seu povo e recebe em agradecimento impropérios e cusparadas. Todos conhecem a história cantada por Chico Buarque em "Geni e o Zepelin". O que poucos devem ter percebido é que a narrativa bem parecida havia surgido muito antes da música. Longe de mim desmerecer a música, é apenas uma constatação curiosa.
Vim a saber da coincidênca através do amigo, colega de profissão e parceiro de chope Luís Edmundo Araújo. Fã de Chico Buarque e de literatura, Edmundo é um sujeito difícil de agradar quando se trata de música e livros. Com a mesma desenvoltura que demonstra inteligência e gosto apurados ao comentar seus preferidos, é capaz de trucidar algo que não lhe agrade baseado em preconceitos tacanhos ou simplesmente dizer "não li e não gostei" (geralmente apenas para infernizar o interlocutor, saboreando os ataques de cólera do outro com um riso cínico).
Apesar da tendência a espírito de porco, é leitor e ouvinte dos mais atentos. Por conta disso sentiu um deja vui ao ler "Bola de Sebo" ("Boule de Suif "), de Maupassant. Conferi e concordei. O conto lembra muito a letra de Chico Buarque (não vou dar detalhes para não tirar o prazer de quem quiser lê-lo).
O texto é uma pérola, daqueles que provocam deleite pela forma impecável e pela acuidade que capta o comportamento humano. Essa percepção aguçada, contudo, provoca também um incômodo, uma náusea. Talvez por levar à conclusão (óbvia) de que o ser humano é capaz de ser utilitário, cínico e torpe ao sabor das conveniências. A história se passa na França durante a Guerra Franco-prussiana, mas seu núcleo é atemporal e poderia figurar no cinema ou numa novela de Manoel Carlos. Por sorte (apenas porque não acompanho polêmicas em revistas de celebridades e suplementos de TV), apareceu antes numa letra de Chico Buarque.
Para quem quiser conferir, o conto (em inglês) pode ser baixado em:
http://www.ibiblio.org/gutenberg/etext02/gm00v11.zip.
A letra da música pode ser lida em:
http://www.internext.com.br/petty/Geni%20e%20o%20Zepelim.html

posted by Maloca | 11:35 PM

Garrafas vazias
O dono da birosca
Fermentados&Destilados